Reforma tributária vai alterar formação de preços na atividade supermercadista
Vem aí uma grande transformação na forma dos supermercados precificarem seus produtos.
A reforma tributária transforma a operação dos supermercados ao substituir antigos impostos por um novo modelo de IVA dual (IBS e CBS), alterando a formação de preços e exigindo maior rigor no cadastro de produtos.
O que era para ter sido levado a sério, o adequado cadastro dos produtos, agora pode ser um divisor de águas em quem vai conseguir competir com lucro ou quem vai passar dificuldades.
- Fim do cálculo “por dentro”: Os tributos passam a ser cobrados “por fora”, tornando os impostos mais transparentes na cadeia de consumo.
- Cesta básica e alíquotas reduzidas: Itens essenciais da Cesta Básica Nacional têm alíquota zero, enquanto outros alimentos importantes contam com redução de cerca de 60% na alíquota padrão.
- Imposto Seletivo: Incide sobre produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente, como bebidas açucaradas e alcoólicas.
- Aproveitamento de créditos: O sistema não cumulativo ampliado, melhora a compensação de créditos, mas penaliza erros de parametrização fiscal.
Cada categoria de produto terá uma regra tributária diferente, exigindo revisão constante do mix de produtos e das margens de lucro. Por isso, ter uma estrutura mercadológica adequada e dentro da realidade, vai garantir uma precificação correta e margens de lucro dentro da expectativa e necessidade.
Outro ponto importante é que o supermercado será tributado no momento da venda. Esse modelo é chamado de Split Payment. Quando o pagamento é processado e o dinheiro sai da conta do comprador, o sistema financeiro separa automaticamente o valor do imposto e o envia diretamente ao governo. O consumidor paga o total da nota, mas a instituição financeira divide o valor: uma parte vai para o supermercadista e outra segue para a apuração tributária. O Governo Federal regulamentou essa forma de cobrança para garantir mais transparência e o repasse imediato dos tributos do IVA dual.
De fato, como isso afeta o financeiro do supermercadista? Pense que hoje você paga os impostos no mês posterior a transação e isso pode funcionar como capital de giro. É como se o governo financiasse seu caixa com o dinheiro de impostos. Como agora o imposto sairá direto da sua operação de venda, você não terá mais essa possibilidade.
Aproveite esse momento antes do início dessas mudanças para organizar o seu setor de compras, para rever as suas margens de lucro, para ampliar a governança do seu supermercado.
Chegou a hora de profissionalizar a sua gestão.
ROGÉRIO MACHADO
consultor empresarial. especialista em
gestão e varejo, palestrante e mentor
