Realizou 22 projetos de responsabilidade social que beneficiaram 16 mil pessoas na Bahia
A Super Revista conversou com Magnólia Borges, gerente de Relações Institucionais da Braskem na Bahia, sobre as ações desenvolvidas pela companhia nas áreas de ESG, sustentabilidade e responsabilidade social. Durante a entrevista ao jornalista Eraldo Alves, Magnólia destacou que o ESG faz parte da estratégia da Braskem e apresentou projetos voltados à economia circular, combate às mudanças climáticas, formação profissional, inclusão social e empreendedorismo.
Segundo a executiva, no último ano foram realizados 22 projetos, beneficiando mais de 16 mil pessoas em comunidades de Camaçari, Dias d’Ávila, Candeias, Simões Filho e Salvador. Na área ambiental, Magnólia ressaltou os avanços na descarbonização. Somente na Bahia, a companhia já alcançou uma redução superior a 200 mil toneladas de gases de efeito estufa, considerando os escopos 1 e 2.
Magnólia destacou ainda o Empreendedoras Braskem, projeto de capacitação de mulheres para criação e desenvolvimento dos próprios negócios, e reforçou que a responsabilidade social precisa partir da escuta das comunidades para gerar resultados verdadeiramente transformadores.
Magnólia Borges informa que a Braskem é uma empresa global e está entre as 10 maiores do mundo no seu segmento
Eraldo Alves – Para começarmos, gostaria que você apresentasse um pouco a Braskem e a importância da empresa para a Bahia.
Magnólia Borges – É um prazer, Eraldo, estar aqui conversando com você e com a equipe da Super Revista. Obrigada pelo convite e pela oportunidade. A Braskem é uma petroquímica global, uma das dez maiores do mundo, e temos muito orgulho de ter essa indústria aqui na Bahia. É uma empresa nascida na Bahia e que mantém uma importante operação no Polo Industrial de Camaçari. A Braskem é uma empresa âncora do Polo e tem grande relevância para o desenvolvimento e a sustentabilidade da cadeia produtiva do estado, com participação importante na economia e no desenvolvimento da Bahia. A empresa produz químicos e resinas. Essas resinas dão origem aos plásticos que conhecemos e utilizamos no dia a dia. Costumamos dizer que somos uma “indústria das indústrias”, porque fornecemos insumos para diversas outras indústrias e diferentes cadeias produtivas. Estamos presentes, por exemplo, no setor automotivo, na agroindústria e na área de saúde. Basta imaginar como teria sido atravessar a pandemia sem máscaras e outros equipamentos e proteções produzidos a partir de materiais plásticos. A Braskem está presente em diferentes segmentos da economia. Desde o início da década de 2010, iniciamos um processo de internacionalização e, atualmente, a companhia possui atuação em países como México, Estados Unidos e Alemanha, além de comercializar produtos para mais de 70 países.
EA – A Super Revista é voltada ao setor supermercadista e às redes de supermercados, um segmento que também começa a trabalhar cada vez mais com ESG, sustentabilidade e responsabilidade social. O que motivou a Braskem a investir nessas áreas?
MB – Eu poderia dizer que, desde a sua criação, o ESG está presente no DNA da Braskem. Sempre houve uma preocupação em atuar de forma sustentável e equilibrada, com atenção às comunidades do entorno, às questões sociais e à busca permanente pela eficiência das nossas operações.
EA – Quais são os principais projetos sociais desenvolvidos atualmente pela Braskem?
MB – Atualmente, temos uma política de responsabilidade social estruturada principalmente em três pilares. O primeiro contempla projetos direcionados à promoção da economia circular e ao combate às mudanças climáticas. O segundo é voltado para projetos de formação profissional. E o terceiro, que chamamos de inclusão social, reúne projetos dedicados às comunidades, respeitando suas vocações locais e com foco, principalmente, no empreendedorismo. Ao longo do ano, desenvolvemos diversos projetos sempre direcionados, prioritariamente, a esses três pilares.
EA – E como a Braskem mede o impacto social dessas ações?
MB – Temos indicadores para cada um desses projetos, com objetivos a serem atingidos, principalmente em relação ao número de beneficiários e à abrangência e cobertura de cada iniciativa. Buscamos atender prioritariamente as comunidades próximas às nossas operações em Camaçari, mas também desenvolvemos ações em Dias d’Ávila, Candeias, Simões Filho e Salvador, onde temos escritório na área administrativa.
EA – A Braskem também desenvolve projetos sociais em Salvador?
MB – Sim. Temos ações todos os anos e buscamos diversificar nosso portfólio de iniciativas, atendendo esses cinco municípios e diferentes comunidades. É uma tarefa difícil e um grande desafio, porque são muitas comunidades e também muitas demandas. Mas buscamos sempre ter um olhar cuidadoso para otimizar essas ações e conseguir atuar em diferentes comunidades e municípios.
EA – Como as práticas de ESG influenciam a estratégia e a própria cultura da Braskem?
MB – Isso está bastante presente, por exemplo, no cuidado com a eficiência energética, na eficiência dos processos e também na governança. Nos últimos anos, passamos por uma revisão importante dos processos de conformidade e de controle, buscando garantir que tudo ocorra de maneira adequada. Na área social, nossas ações procuram sempre reduzir ao máximo os impactos nas comunidades próximas às operações. Na área ambiental, trabalhamos, por exemplo, na redução das emissões de gases de efeito estufa. Temos vários objetivos que buscamos atingir ao longo dos anos. Para você ter uma ideia, Eraldo, já reduzimos as emissões em mais de 200 mil toneladas de gases de efeito estufa, nos escopos 1 e 2, somente aqui na Bahia. Isso contribuiu de forma relevante para o objetivo global, que já alcançou 1,3 milhão de toneladas de emissões reduzidas nos últimos anos. Temos um programa global de descarbonização desde 2021. Esse compromisso faz parte da cultura da empresa, dos nossos processos e também dos nossos integrantes, como chamamos os empregados da Braskem, que aplicam essa cultura no dia a dia para contribuir com o alcance desses objetivos.
EA – E como a empresa envolve fornecedores, parceiros e outras instituições nessas práticas sustentáveis?
MB – Buscamos essa sinergia, envolvendo parceiros também nos nossos projetos sociais. Temos, por exemplo, vários projetos realizados com o Sindiplasba, que representa as indústrias do setor plástico aqui na Bahia. Em ações de voluntariado, buscamos envolver nossos integrantes, profissionais de outras empresas presentes no Polo Industrial de Camaçari e também integrantes da cadeia do plástico. Com isso, conseguimos alcançar resultados ainda maiores e mais relevantes. Realizamos recentemente, por exemplo, um mutirão de coleta de sangue em Salvador. Também desenvolvemos ações voltadas à reciclagem do plástico e à educação ambiental. Fazemos parcerias com diferentes stakeholders para fomentar a consciência ambiental na sociedade e nas comunidades onde estamos presentes. Temos ainda o Cofic, que reúne empresas instaladas no Polo Industrial de Camaçari, e desenvolvemos alguns projetos em parceria, como o Polo da Gente, que contribui para a reestruturação de instituições sociais com atuação relevante nas comunidades.
A Braskem, juntamente com outras empresas e o Cofic, atua para apoiar essas instituições. São realmente muitos projetos. No ano passado, foram realizados 22 projetos importantes, beneficiando mais de 16 mil pessoas nessas comunidades.
EA – Grandes redes de supermercados já desenvolvem ações de ESG, sustentabilidade e responsabilidade social. Mas também existem pequenas empresas e lojas de vizinhança que querem começar e, muitas vezes, encontram dificuldades. Que orientação você daria para esses empresários?
MB – Acho que planejamento é fundamental. É importante buscar uma implantação gradual, de acordo com a capacidade de cada empresa. O mais importante é começar, assumir esse compromisso e contar com o envolvimento da alta liderança, independentemente de ser uma grande indústria ou uma pequena empresa. Os gestores e líderes precisam estar verdadeiramente comprometidos, porque serão exemplos para todos os demais. É necessário participar, engajar-se e estar comprometido com os objetivos estabelecidos. Também é importante definir metas ou objetivos que se deseja alcançar, estabelecer prazos e construir um plano de ações. Mesmo que seja de forma gradual, com pequenos passos, é importante que sejam iniciativas possíveis de implementar e compatíveis com a realidade da empresa. Essas empresas podem atuar individualmente ou buscar parcerias. Muitas vezes, ao reunir uma rede de apoio, é possível viabilizar determinada ação de maneira mais rápida. Existem ainda instituições que podem oferecer suporte. A Federação das Indústrias do Estado da Bahia, por exemplo, possui um Conselho de Sustentabilidade, que atualmente presido, reunindo empresas de diferentes portes — grandes, médias e pequenas indústrias. Essas empresas podem encontrar apoio junto à Gerência de Desenvolvimento Sustentável da Fieb, com acesso a materiais, orientações, guias e melhores práticas. Existem redes de suporte capazes de ajudá-las na implementação dos primeiros passos do ESG.
EA – E acredito que instituições como o Sebrae também possam contribuir nesse processo, correto?
MB – Sim. O Sebrae também desenvolve um trabalho nessa área. Eu conheço mais de perto as iniciativas realizadas pela Federação, porque é onde está mais diretamente a minha área de atuação, mas o Sebrae tem um excelente trabalho e um legado muito relevante. Certamente, poderá dar uma excelente contribuição também aos supermercadistas que desejam avançar nas práticas de ESG.
EA – Magnólia, quais tendências de ESG você acredita que devem ganhar força nos próximos anos?
MB – Acredito que o uso da tecnologia e da inovação será — ou melhor, já é — uma ferramenta importantíssima para impulsionar os resultados. Na Braskem, por exemplo, já aplicamos inteligência artificial há alguns anos e, naturalmente, esse uso vem se intensificando. Temos observado resultados cada vez mais relevantes com a aplicação dessas tecnologias. Somente em um dos projetos que utilizamos em nossa fábrica de Camaçari, para você ter uma ideia, conseguimos uma economia de R$ 32 milhões em combustíveis e uma redução de 30 mil toneladas de CO₂ emitidas na atmosfera. Isso foi alcançado com a aplicação de uma dessas tecnologias em um dos nossos processos produtivos. Então, muitas vezes, o uso da tecnologia pode nos ajudar a acelerar o alcance dos objetivos de sustentabilidade.
EA – E acredito que a tecnologia também possa contribuir com os colaboradores, permitindo otimizar o tempo e direcioná-lo para outras atividades. A inteligência artificial pode ser uma aliada também nesse sentido?
MB – Sim. A tecnologia, de maneira geral, vem ajudando a melhorar os índices de produtividade e também a eficiência dos resultados dos trabalhos. Aqui na Braskem temos vários outros exemplos relacionados à redução de desperdícios e de gastos, além de avanços em eficiência energética e eficiência hídrica, com melhor utilização da água nos nossos processos. Com o aprimoramento dessas ferramentas e a incorporação delas no dia a dia dos integrantes da empresa, torna-se mais fácil alcançar esses resultados.
EA – Para finalizarmos a nossa entrevista, Magnólia, qual é o principal legado que a Braskem pretende deixar para a sociedade por meio dessas iniciativas de ESG e responsabilidade social?
MB – Acredito que, principalmente, a transformação de vidas. Realizamos nossos projetos buscando atender às demandas das comunidades. Não adianta uma indústria, um supermercado ou qualquer outra empresa querer implantar determinado projeto simplesmente porque considera aquela iniciativa positiva, interessante ou importante. É necessário também estabelecer um processo de escuta, ouvir a comunidade que está próxima à sua área de atuação, compreender quais são suas demandas e necessidades e identificar de que maneira a empresa pode contribuir. No momento em que você planeja e investe nessas ações, é muito importante que elas tenham efetivamente um caráter transformador e contribuam para o desenvolvimento econômico e social daquela comunidade. Temos alguns projetos que posso citar como exemplo. Um deles é o Empreendedoras Braskem. Acabamos de realizar uma turma em Camaçari e estamos abrindo inscrições para uma nova turma em Salvador. O projeto é específico para mulheres empreendedoras: aquelas que já possuem um negócio, que estão começando a empreender ou que desejam abrir o próprio empreendimento. Por meio de uma capacitação realizada com uma instituição parceira, oferecemos conhecimentos relacionados às diferentes áreas de um negócio, como finanças, recursos humanos e marketing, entre outras. Ao final, essas mulheres estão mais preparadas para implementar seus negócios ou impulsionar aqueles que já possuem. É incrível perceber como os resultados podem surgir rapidamente, de maneira efetiva, e como muitas vidas são transformadas por meio desse projeto. É realmente tocante. Percebemos que, muitas vezes, uma ação de uma indústria, de um conjunto de empresas ou mesmo de um supermercado pode contribuir verdadeiramente para uma mudança de vida e de perspectiva das pessoas de uma comunidade próxima à sua área de atuação.
EA – Magnólia, muito obrigado. A Super Revista agradece pela entrevista e, principalmente, pela oportunidade de levar ao nosso público mais informações sobre ESG, sustentabilidade e responsabilidade social, temas que vêm ganhando cada vez mais importância no ambiente empresarial e que também estão cada vez mais presentes no setor supermercadista. Muito obrigado pela participação.
MB – Obrigada. Foi um prazer.
