Charão Associados promove Palestra sobre Norma Regulamentadora NR-1 e riscos psicossociais no ambiente de trabalho
Os riscos psicossociais no ambiente de trabalho e as exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) foram tema de uma palestra promovida pelo escritório Charão Associados, realizada na sede da Abase, em maio último. O evento reuniu empresários, supermercadistas e gestores para discutir os impactos da nova regulamentação e as medidas necessárias para adequação das empresas.
A estrategista em riscos empresariais e governança e sócia-diretora da SKX Engenharia, Sara Charão, destacou que muitas empresas ainda não percebem os chamados “riscos invisíveis”. “O maior erro das empresas está no que elas ainda não enxergam: os riscos invisíveis. A maioria dos problemas não começa grande. Eles começam silenciosos, escondidos na rotina, nos processos e nas decisões do dia a dia”, afirmou.
Segundo Sara, desde 26 de maio tornou-se obrigatória a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), exigindo das empresas não apenas a documentação necessária, mas também a comprovação de uma gestão efetiva por meio do ciclo PDCA (Planejar, Executar, Verificar e Agir).
“Os empresários acreditam que só sofrerão consequências em caso de multa, mas já estão juridicamente vulneráveis. Além das penalidades, podem enfrentar processos trabalhistas, indenizações, ações regressivas, aumento da carga tributária e outros impactos financeiros”, alertou.
Ela ressaltou ainda que investir na saúde mental dos colaboradores gera benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. “O colaborador é a base da empresa. Precisamos criar ambientes saudáveis para evitar o adoecimento e promover qualidade de vida. Profissionais saudáveis produzem mais, geram melhores resultados e contribuem para o crescimento do negócio.”

Diagnóstico e prevenção
Sara explicou que o primeiro passo para adequação à norma é realizar uma avaliação diagnóstica completa da empresa. “Além dos riscos químicos, físicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes, agora também precisamos identificar os riscos psicossociais. Esse levantamento deve começar pela Análise Ergonômica Preliminar, que permite mapear os fatores de risco existentes”, explicou.
A especialista destacou que o custo da prevenção é muito menor do que os prejuízos causados pela falta de adequação. “A multa será o menor dos problemas. Muitas empresas já estão pagando um preço alto com afastamentos, ações indenizatórias e aumento de encargos decorrentes do adoecimento dos trabalhadores.”
Fiscalização já pode ocorrer
A advogada trabalhista Carolina Freitas, do Charão Associados, reforçou que a nova exigência já está em vigor e que as empresas podem ser fiscalizadas. “Desde 26 de maio, as empresas já podem ser cobradas quanto ao cumprimento dessas exigências. É importante entender por que essa discussão voltou ao centro das atenções e quais serão as consequências para quem não se adequar”, afirmou.
Segundo Carolina, muitos empresários demonstram preocupação com os custos e a quantidade de obrigações legais. “Recebemos questionamentos constantes de empresários que alegam falta de recursos ou excesso de exigências. Nosso objetivo é apresentar caminhos viáveis e orientar sobre prioridades para uma adequação eficiente.”
Ela destacou ainda que indicadores com alta rotatividade, dificuldades de contratação, aumento de pedidos de rescisão indireta e crescimento dos afastamentos por questões de saúde mental já demonstram a necessidade de atenção ao tema.
Para auxiliar os empresários, o escritório desenvolveu o DERT (Diagnóstico Executivo de Riscos Trabalhistas), ferramenta que ajuda a identificar prioridades e mensurar os impactos financeiros decorrentes do descumprimento das normas.
Multas e impactos financeiros
Carolina alertou que o não cumprimento das exigências pode gerar diversas penalidades. “Se a empresa não elabora o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), não identifica os riscos, não cria um plano de ação ou deixa de executá-lo, cada uma dessas situações pode resultar em autuações distintas”, explicou.
Ela ressaltou que, dependendo do porte da empresa e da gravidade da infração, os custos podem comprometer seriamente a saúde financeira do negócio.
Soluções para o varejo
O Charão Associados também apresentou soluções voltadas ao setor supermercadista e ao varejo em geral. Entre elas está o Dash, ferramenta lançada durante o evento para auxiliar na implementação de planos de ação e monitoramento de riscos.
Além disso, o escritório oferece serviços de sindicância e investigação interna, treinamento de lideranças para apuração de denúncias de assédio moral, elaboração de políticas internas e orientação sobre medidas disciplinares. “Hoje não basta apenas possuir documentos. É necessário demonstrar que as políticas são aplicadas na prática e que os colaboradores estão capacitados para utilizá-las corretamente”, ressaltou Carolina.
