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BYD: Sustentabilidade coloca Camaçari no centro de sua estratégia de industrialização no Brasil

Pablo Toledo, diretor de Comunicação e Branding da BYD (Build Your Dream), destaca geração de empregos, energia renovável, recuperação ambiental e impacto econômico da fábrica na Bahia. Segundo ele, a missão da BYD é diminuir a temperatura da terra em 1 grau e a escolha de Camaçari para receber uma das principais operações industriais da BYD no Brasil possui também um significado econômico e estratégico.

A chegada da BYD a Camaçari representa mais do que a implantação de uma nova operação industrial na Bahia. Para a companhia, o empreendimento integra uma estratégia que reúne tecnologia, mobilidade elétrica, sustentabilidade, responsabilidade social e desenvolvimento econômico. É o que afirma Pablo Toledo, diretor de Comunicação e Branding da BYD no Brasil, em entrevista à Super Revista e ao Programa Fala Benneh.

Segundo o executivo, sustentabilidade não representa apenas uma estratégia de comunicação da empresa, mas está diretamente relacionada à própria razão de existir da companhia. “A missão da BYD é diminuir a temperatura da Terra em 1 grau ”, afirmou Toledo.

De acordo com ele, o propósito está associado ao modelo de negócios desenvolvido pela companhia, que atua em diferentes etapas relacionadas à energia limpa. A empresa produz painéis solares para captação de energia, baterias para armazenamento e veículos eletrificados para promover uma mobilidade com menor impacto ambiental.

Embora tenha se tornado amplamente conhecida no Brasil pelos automóveis, a atuação da BYD vai além dos carros de passeio. A companhia também produz ônibus, caminhões, empilhadeiras e outros tipos de veículos elétricos. “Não somos uma montadora, somos uma greentech”, ressaltou Toledo, ao defender que tecnologia e sustentabilidade fazem parte da essência da empresa.

         Camaçari e a  reindustrialização do Nordeste

Na avaliação do diretor, a escolha de Camaçari para receber uma das principais operações industriais da BYD no Brasil possui também um significado econômico e estratégico. A empresa iniciou suas atividades no país em 2014, em Campinas, no interior de São Paulo, com a produção de chassis para ônibus elétricos. Posteriormente, ampliou sua atuação com painéis solares e uma operação de montagem de baterias em Manaus.

Em 2023, a companhia assumiu a antiga planta industrial da Ford em Camaçari, iniciando um novo ciclo para uma região que havia sofrido impactos econômicos e sociais após o encerramento das atividades da montadora anterior.

Toledo lembrou que o fechamento da antiga fábrica não representou apenas a perda de postos de trabalho dentro da unidade industrial. Restaurantes, hotéis, comércio, mercado imobiliário e diversos pequenos negócios que dependiam direta ou indiretamente daquela atividade tambémf foram afetados. Com a retomada da atividade industrial, segundo ele, esse movimento começa a se inverter.

A operação da BYD em Camaçari já reúne, de acordo com Toledo, mais de 6,7 mil colaboradores somente na fábrica, sem considerar os trabalhadores envolvidos nas obras civis e na expansão da estrutura industrial.

Esse movimento tem provocado reflexos em diferentes setores da economia local, incluindo hotéis, restaurantes, pequenos estabelecimentos comerciais, serviços e mercado imobiliário. “Você tem não só Camaçari, mas todo o circuito entre Salvador e Camaçari sendo aquecido”, destacou.

O executivo também revelou que a companhia já manteve conversas com mais de 400 fornecedores, sendo que aproximadamente 150 dessas negociações estariam em estágio avançado. A expectativa é de que o avanço da nacionalização da produção contribua para ampliar ainda mais a cadeia de fornecedores ligada ao complexo industrial.

Para Toledo, deslocar parte importante do processo de industrialização automotiva para o Nordeste representa uma mensagem relevante para o desenvolvimento regional. “Levar esse eixo para o Nordeste brasileiro é uma mensagem muito forte”, afirmou.

         Energia renovável na fábrica

Entre as iniciativas ambientais destacadas durante a entrevista está o uso de energia proveniente de fontes renováveis na operação de Camaçari. Segundo Pablo Toledo, toda a energia utilizada pela fábrica tem origem renovável, com destaque para a geração eólica.

Para o executivo, a iniciativa demonstra na prática o compromisso ambiental de uma companhia que coloca a sustentabilidade entre os pilares de sua atuação. A participação dos colaboradores também ocorre em iniciativas ambientais, incluindo ações de plantio de árvores e outras atividades relacionadas à conscientização e preservação.

A companhia vem ainda publicando relatórios de impacto e sustentabilidade, nos quais apresenta informações relacionadas aos compromissos ambientais, sociais e de governança.

Esses documentos abrangem desde indicadores ambientais até questões relacionadas aos recursos humanos, participação feminina na operação e mecanismos internos de denúncia. Segundo Toledo, mais de 30% dos trabalhadores da linha de produção são mulheres.

         40 mil mudas da Mata Atlântica

Outro projeto destacado durante a entrevista é o plantio de 40 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica. De acordo com o diretor, o acompanhamento das áreas destinadas à recuperação ambiental envolve a comunidade local e comitês implantados pela fábrica.

As medidas de compensação são executadas a partir dos compromissos estabelecidos com os órgãos ambientais e o Governo do Estado da Bahia. Toledo ressaltou que existem metas e obrigações ambientais previstas nos acordos firmados para implantação e desenvolvimento da operação industrial. A proposta é fazer com que o crescimento da produção esteja acompanhado por medidas de recuperação, compensação e acompanhamento ambiental.

         Nacionalização da produção

Durante a entrevista, PabloToledo também abordou o processo de nacionalização dos veículos produzidos em Camaçari. Segundo ele, a implantação da produção ocorre de forma gradual, seguindo etapas adotadas historicamente pela indústria automotiva. O processo começa pela montagem de veículos a partir de kits e avança progressivamente para maior incorporação de componentes e processos produtivos realizados no Brasil.

A BYD prepara a entrada em operação de estruturas destinadas a etapas como soldagem, estamparia e pintura, ampliando a capacidade industrial instalada na Bahia. A expectativa da companhia é avançar na nacionalização e ampliar a participação de fornecedores instalados no país.

         ESG e o desafio da integração cultural

Questionado pela Super Revista e pelo Programa Fala Benneh sobre os principais desafios para implantação das políticas ESG no Brasil, Toledo destacou a integração entre as culturas brasileira e chinesa.