Supermercadistas da capital e interior participam do evento
A Associação Baiana de Supermercados (Abase) reuniu supermercadistas e gestores de Salvador e do interior da Bahia durante a 6ª edição do Abase Conectada para discutir as novas demandas do varejo e dos consumidores. O evento foi realizado na sede da entidade, em Salvador, dia 09/04, e contou com a presença da Super Revista e do Programa Fala Benneh, que entrevistaram importantes nomes do setor, como Demétrio Machado, diretor da Abase e CEO da Rede Novo Mix; João Cláudio Andrade, diretor da RedeMix; e Mauro Rocha, superintendente da Abase. Também participaram como palestrantes especialistas do varejo Ricardo Pastore, fundador da Retail Power Academy, Sidnei Calil, Roberto Arruda, CRO na Skyone, Maurício Massur, fundador e CEO da IAMKT, e Gustavo Carrer, Head de Vendas da Inwave.
Demétrio Machado recepcionou os participantes e destacou a importância da atualização constante para os profissionais do varejo. Segundo ele, o projeto Abase Conectada permite que os participantes acompanhem de perto as rápidas transformações do mercado.
“As mudanças estão acontecendo de forma muito acelerada. Não é mais algo que percebemos ao longo de anos, mas sim, no dia a dia. Participar de eventos como esse permite que as pessoas saiam mais atualizadas e preparadas para enfrentar esses desafios”, afirmou.
Ele também celebrou o sucesso da edição e a grande participação do público. “É uma felicidade ver a casa cheia, com pessoas interessadas em entender as transformações do mercado. Eventos como este são fundamentais para o nosso desenvolvimento”.
Ao comentar sobre as mudanças no varejo, Demétrio destacou o papel da inteligência artificial, ressaltando que, apesar dos avanços tecnológicos, o fator humano continua sendo essencial. “A inteligência artificial já é uma realidade e tem nos ajudado bastante, embora o processo de adaptação ainda seja desafiador. No entanto, não podemos esquecer que por trás de toda tecnologia existem pessoas. O ser humano continuará sendo fundamental para a evolução do setor”, explicou.
Mauro Rocha, superintendente da Abase, também enfatizou a relevância do evento, especialmente por abordar a aplicação da tecnologia no varejo alimentar. “O Abase Conectada nasceu em 2020, durante a pandemia, e desde então traz, anualmente, as principais tendências tecnológicas que impactam o setor. Hoje, o grande destaque é a inteligência artificial e sua capacidade de transformar a relação entre consumidor e varejo”, afirmou.
Segundo ele, a inteligência artificial já vem sendo amplamente utilizada em mercados internacionais e começa a ganhar força no Brasil, auxiliando os supermercadistas a compreender melhor o perfil de consumo e aprimorar a experiência do cliente. “O objetivo é mostrar como essa ferramenta pode ajudar na tomada de decisões, melhorar estratégias de marketing e oferecer produtos mais alinhados às expectativas dos consumidores”, destacou.
Mauro também mencionou que o evento trouxe insights de grandes feiras internacionais, como a Euroshop, na Alemanha, e a NRF, em Nova York, reforçando o papel da tecnologia na evolução do varejo.
Encerrando o evento, João Cláudio Andrade, conhecido como Joãosinho, diretor-sócio da RedeMix, elogiou a iniciativa da Abase e destacou a importância do acesso ao conhecimento, especialmente para pequenos e médios varejistas. “O conteúdo é essencial para o crescimento do empresário. O varejo é uma atividade complexa e exige atualização constante. Hoje, a tecnologia está mais acessível e democratizada, permitindo que empresas de todos os portes inovem e se diferenciem”, afirmou.
Ele também ressaltou a importância da inovação e da busca contínua por melhorias. “As pessoas que estão aqui querem evoluir, encantar seus clientes e se destacar da concorrência. O varejo é dinâmico, não podemos parar nunca”, disse.
Sobre a atuação da RedeMix, João Cláudio destacou o uso estratégico da inteligência artificial no processo decisório. “Utilizamos a inteligência artificial como uma ferramenta de apoio, que nos fornece informações para decisões mais assertivas. Não se trata de substituir a gestão humana, mas de complementar e aprimorar o processo de decisão”, explicou.
Segundo ele, toda a equipe da RedeMix está engajada no uso da tecnologia e comprometida com o aprendizado contínuo. “É fundamental manter a mente aberta. Resistir à inovação não é uma opção. Precisamos aprender todos os dias e utilizar a tecnologia a nosso favor”, concluiu.
RICARDO PASTORE
“A proposta é provocar o interesse e mobilizar a comunidade varejista”
“É um prazer estar aqui compartilhando com vocês um tema que ainda é novo para todos — inclusive para mim — e que, justamente por isso, nos desafia. A proposta é provocar o interesse e mobilizar a comunidade varejista, especialmente os profissionais da área de gestão, a transformarem suas rotinas por meio da inteligência artificial. Somente assim conseguiremos alcançar novos resultados”, destacou Ricardo Pastore, fundador da Retail Power Academy e referência no varejo brasileiro, ao final de sua palestra.
Ao abordar a realidade dos pequenos e médios supermercadistas — tanto aqueles em início de operação quanto os que já possuem alguns anos de experiência —, Pastore ressaltou a importância da adoção da inteligência artificial (IA) como ferramenta estratégica de gestão.
Segundo ele, a IA possibilita que o empreendedor “faça mais com menos”, ampliando sua capacidade operacional e gerencial. “Atividades que antes não eram realizadas por falta de tempo ou estrutura, como controles e acompanhamentos mais detalhados, passam a ser viáveis com o apoio da inteligência artificial. Dessa forma, o esforço do empresário e de sua equipe é potencializado”, explicou.
O especialista também destacou que a IA pode ser compreendida como um novo integrante da equipe. “A inteligência artificial passa a atuar como um membro adicional. Quando estruturada por meio de agentes, pode desempenhar funções específicas, quase como novos colaboradores digitais. Isso representa uma grande oportunidade, sobretudo para pequenos negócios, que podem crescer sem a necessidade proporcional de ampliação do quadro de funcionários”, afirmou.
Nesse contexto, mencionou ainda exemplos recentes do mercado que evidenciam o potencial da tecnologia na escalabilidade dos negócios, ressaltando, no entanto, a importância de compreender seus limites e aplicações práticas.
Questionado sobre a possibilidade de redução de custos, Pastore foi enfático ao afirmar que este é um dos principais benefícios da adoção da IA, mas não o único. “Reduzir custos é, de fato, um objetivo inicial. No entanto, a inteligência artificial também contribui para atrair mais clientes e aprimorar a análise do próprio negócio. Em poucos minutos, o empresário consegue revisar processos, manter aquilo que funciona bem e substituir práticas que não geram resultados satisfatórios”, pontuou.
Ao tratar da agilidade proporcionada pela tecnologia, Pastore compartilhou sua experiência como professor de MBA. Segundo ele, em aulas com duração de três horas, é possível desenvolver, junto aos alunos, um negócio do zero com o apoio de ferramentas de IA.
“Os alunos são divididos em grupos, estruturam ideias, elaboram planejamento e chegam a criar um site completo, com identidade visual e produtos definidos. Ao final da aula, a empresa está virtualmente pronta para operar. O objetivo é demonstrar, na prática, o potencial dessas ferramentas”, relatou.
Ele ressaltou que, no ambiente corporativo, esse processo pode ser aplicado de forma concreta, permitindo o desenvolvimento de novos serviços, a expansão para novos mercados e a criação de soluções inovadoras. “A inteligência artificial é extremamente poderosa, mas é importante compreender que ela não manterá o negócio como está. Ela exige do empresário abertura para aprender e disposição para implementar mudanças”, alertou.
Por fim, ao ser questionado sobre a necessidade de suporte para a adoção da IA, Pastore recomendou que os empresários busquem orientação estruturada, seja por meio de assessorias, mentorias ou comunidades de aprendizagem.
“O empresário pode participar de grupos de debate, cursos ou programas especializados. Hoje, há uma ampla oferta de conteúdos acessíveis, inclusive gratuitos. No entanto, é fundamental que ele dedique tempo ao aprendizado contínuo. Conciliar a gestão do negócio com a atualização profissional sempre foi um desafio, e com a inteligência artificial não é diferente”, concluiu. Segundo o especialista, trata-se de uma tecnologia que não representa apenas custo, mas, sobretudo, uma oportunidade concreta de transformação e crescimento para o varejo.
SIDNEI CALIL
“Em apenas um ano, observamos uma avalanche de mudanças”
“No ano passado eu destacava que estávamos entrando na era da transformação. No entanto, não imaginava que esse processo ocorreria de forma tão acelerada. Em apenas um ano, observamos uma avalanche de conteúdos e mudanças: novos hábitos de consumo, o impacto das chamadas ‘canetas emagrecedoras’, o crescimento das apostas esportivas, grandes eventos como a Copa do Mundo, a queda no consumo de bebidas alcoólicas, além das transformações demográficas, como o envelhecimento da população. Diante desse cenário, é fundamental questionar: o consumidor e o varejo estão preparados para essa nova jornada?”, afirmou Sidnei Calil, CEO da Socin, durante sua palestra.
Segundo o executivo, o consumidor atual busca, cada vez mais, experiências completas e integradas. “Hoje, o celular é uma extensão do consumidor, e o supermercado precisa acompanhar essa realidade. É essencial que o varejo esteja preparado e atento a essas transformações”, destacou.
Calil ressaltou ainda a importância de acompanhar tendências globais, mencionando a EuroShop, realizada na Alemanha, considerada a maior feira mundial do setor. “O que observamos no varejo europeu representa, em grande medida, o futuro do varejo brasileiro. Por isso, é imprescindível estar atento e acompanhar essas evoluções”, pontuou.
O executivo também destacou a velocidade com que a informação circula atualmente. “Antes, a informação era consumida em momentos específicos do dia. Hoje, ela é contínua, em tempo real. Diante disso, precisamos estar atentos — não com receio, mas com preparo. A transformação é inevitável, e resistir a ela não é uma opção”, afirmou.
Ao ser questionado sobre como o supermercadista pode absorver essas mudanças, especialmente diante do avanço da inteligência artificial, Calil foi direto: “O objetivo de todo varejista é vender mais e manter seu negócio estruturado. Para isso, é fundamental aceitar a inteligência artificial como uma aliada estratégica”.
Segundo ele, a IA deve ser incorporada como ferramenta de apoio à gestão, contribuindo para a otimização do tempo e a melhoria da eficiência operacional. “Vivemos em um cenário de escassez de tempo. A inteligência artificial permite automatizar tarefas repetitivas, otimizar o controle de estoques, a precificação, a análise de dados do consumidor, meios de pagamento e questões tributárias. Trata-se de um recurso essencial para aumentar a produtividade”, explicou.
No que se refere à capacitação das equipes, Calil avaliou que a adoção da inteligência artificial ainda é incipiente, tanto no Brasil quanto no cenário internacional, mas cresce de forma acelerada. “É importante não criar resistência. É preciso incorporar essa tecnologia, aprender continuamente e explorar as diversas possibilidades de capacitação disponíveis, muitas delas acessíveis e até gratuitas”, destacou.
O executivo compartilhou ainda sua experiência pessoal com o uso da tecnologia, ressaltando ganhos significativos de produtividade. “Uma apresentação que antes demandaria dias de preparação, hoje pode ser desenvolvida em poucos minutos com o auxílio da inteligência artificial”, exemplificou.
Por fim, deixou uma mensagem aos supermercadistas, reforçando a necessidade de adaptação e resiliência. “Transforme-se. Utilize essa mudança a seu favor. Seja resiliente, evolua e envolva sua equipe nesse processo. O conhecimento deve ser compartilhado. A informação não pertence a um único indivíduo, ela precisa circular”, afirmou.
Calil concluiu destacando o papel estratégico dos dados no cenário atual. “Costuma-se dizer que o dado é o novo petróleo. No entanto, diferentemente do petróleo, que polui, os dados, quando mal-estruturados, podem gerar impactos ainda mais prejudiciais. Por isso, é fundamental tratá-los com responsabilidade e inteligência”, finalizou.
ROBERTO ARRUDA
“O que não podemos fazer é rejeitar ou apenas reagir às mudanças”
“Acreditamos que a transformação que vivenciamos atualmente é, sobretudo, cultural, mais do que tecnológica. Embora a base tecnológica esteja passando por uma evolução sem precedentes, é fundamental compreender que as pessoas estão no centro dessa mudança. Elas precisam ser potencializadas pelas capacidades da inteligência artificial. Minha abordagem foi justamente sobre isso: como ampliar o potencial humano por meio do uso da IA”, destacou Roberto Arruda, CRO da Skyone.
Ao abordar o cenário contemporâneo, marcado pela sobreposição entre passado, presente e futuro, Arruda foi enfático ao afirmar que os referenciais temporais tradicionais já não se aplicam da mesma forma. “Hoje, passado, presente e futuro estão, de certa forma, embaralhados. O mais importante é a capacidade de interpretar sinais. Quanto mais rapidamente conseguimos compreender essas mudanças, maior será nossa capacidade de adaptação e resposta”, explicou.
Como exemplo, citou a evolução do comportamento do consumidor nas plataformas digitais. “Aplicativos como o Tik Tok ilustram bem essa transformação. Se antes o usuário permanecia minutos consumindo conteúdo, hoje, em poucos segundos, já é possível realizar uma compra. O comportamento de consumo está mudando rapidamente, e esses movimentos se manifestam por meio de sinais que precisam ser interpretados pelas empresas”, afirmou.
Nesse contexto, Arruda ressaltou a importância da imaginação e da criatividade como diferenciais humanos. “O que não podemos fazer é rejeitar ou apenas reagir às mudanças. É necessário agir com criatividade. O humano precisa ser amplificado pela inteligência artificial. As competências humanas, como pensamento crítico e criatividade, tornam-se ainda mais valiosas em um ambiente de alta velocidade e transformação constante”, pontuou.
Ao ser questionado sobre como o supermercadista deve se posicionar diante desse cenário, destacou a importância do propósito e do conhecimento profundo do cliente. “É fundamental compreender como a empresa gera valor para o seu público. O supermercadista atende diferentes perfis de consumidores e precisa entender claramente o que cada público espera. Se o cliente frequenta a loja, é porque percebe valor. Cabe ao empresário identificar e fortalecer esse diferencial”, afirmou.
Arruda ressaltou ainda que, além de executar bem as práticas que já sustentam o negócio, é necessário avançar com o uso estratégico da inteligência artificial. “A IA não deve ser utilizada apenas para automatizar processos, mas para abrir novas frentes de crescimento. Ela permite identificar oportunidades que antes não eram percebidas, possibilitando a criação de novas fontes de receita e até a atração de novos públicos”, explicou.
Sobre os impactos da tecnologia na qualidade de vida, Arruda foi categórico ao afirmar que a inteligência artificial pode contribuir para uma melhor gestão do tempo. “Quanto mais as empresas automatizam tarefas repetitivas e operacionais, mais tempo os profissionais terão para se dedicar à vida pessoal e familiar. Esse é um dos grandes benefícios da tecnologia: permitir que as pessoas se concentrem no que realmente importa”, destacou.
Por fim, enfatizou que a integração entre ser humano e tecnologia será determinante para o sucesso das organizações no futuro. “A sinergia entre homem e máquina será um fator decisivo. As empresas que conseguirem se adaptar, utilizando a tecnologia como vantagem estratégica e competitiva, terão melhores condições de oferecer experiências superiores aos seus clientes e se destacar no mercado”, concluiu.
GUSTAVO CARRER
“Tendências e inovações da EuroShop e NRF 2026”
A NRF e a EuroShop consolidam-se como as principais feiras globais do varejo. Enquanto a NRF, realizada anualmente nos Estados Unidos, conta com mais de um século de história, a EuroShop, realizada a cada três anos na Alemanha, celebrou recentemente seus 60 anos. Ambas são reconhecidas por apresentar soluções e tendências alinhadas às necessidades e aos desafios enfrentados pelos varejistas em todo o mundo.
Para abordar as principais inovações observadas nesses eventos, o Abase Conectada contou com a participação de Gustavo Carrer, especialista em varejo e Head de Vendas da Inwave.
Segundo Carrer, o cenário atual, marcado pelo aumento da competitividade, elevação de custos e oscilações no consumo, tem levado os varejistas a buscarem maior produtividade. “A tecnologia surge como a principal resposta a essa demanda, permitindo que as empresas façam mais com os recursos disponíveis. Trata-se de otimizar processos e aumentar a eficiência operacional”, destacou.
De acordo com o especialista, soluções baseadas em automação, robótica, inteligência artificial (IA), centralização de operações e análise por imagens vêm sendo cada vez mais adotadas para aprimorar o desempenho das empresas. “Essas tecnologias permitem ao supermercadista utilizar melhor sua estrutura, reduzindo a dependência de mão de obra para determinadas atividades e elevando o nível de eficiência da operação”, explicou.
Sobre a presença da inteligência artificial nas duas feiras, Carrer ressaltou seu caráter transversal. “Praticamente todos os expositores apresentaram, de alguma forma, aplicações relacionadas à IA. Isso ocorre porque a tecnologia pode ser incorporada a diferentes processos, contribuindo para análise de dados, geração de insights e compreensão do comportamento do consumidor”, afirmou.
No que se refere à adoção dessas soluções, o especialista destacou a importância da capacitação e da orientação adequada. “Cada modelo de negócio possui características próprias — seja uma loja de conveniência, um supermercado de bairro ou um atacarejo. As tecnologias disponíveis são diversas, e cabe ao empresário, com apoio especializado, identificar quais ferramentas são mais adequadas à sua realidade”, pontuou.
Carrer enfatizou ainda que a inteligência artificial atua como um elemento de potencialização do talento humano. “A IA não substitui a capacidade criativa das pessoas. Ela analisa dados, sugere caminhos e amplia a capacidade de tomada de decisão. O papel de criar, inovar e interpretar permanece essencialmente humano”, ressaltou.
Nesse sentido, afastou a ideia de substituição massiva de empregos. “O que se observa é um aumento na demanda por profissionais capacitados para trabalhar com tecnologia. A IA tende a gerar novas oportunidades, ao mesmo tempo em que eleva a produtividade das operações”, explicou.
Ao comentar sobre as inovações mais visíveis nas feiras, Carrer destacou o protagonismo dos robôs no ambiente de loja. “Soluções robóticas chamam a atenção por sua aplicação prática. Há equipamentos capazes de realizar múltiplas funções, como limpeza de pisos, verificação de preços, identificação de rupturas, suporte ao cliente e até veiculação de publicidade”, exemplificou.
No entanto, o especialista alertou que essas soluções representam apenas uma parte do ecossistema tecnológico. “Grande parte das inovações ocorre nos bastidores, como sistemas de otimização de estoque e precificação baseados em IA. São ferramentas menos visíveis, mas fundamentais para a sustentabilidade do negócio”, destacou.
Por fim, reforçou a importância de uma visão estratégica na adoção da tecnologia. “Não basta investir em soluções visíveis se processos essenciais, como formação de preços e gestão de promoções, não estiverem bem estruturados. A tecnologia deve ser utilizada de forma integrada, contribuindo para resultados consistentes e sustentáveis”, concluiu.
MAURÍCIO MANSUR
“A IA permite um nível de personalidade antes inviável, tornando as estratégias mais assertivas”
“A inteligência artificial já faz parte do nosso dia a dia no marketing. Trabalhamos continuamente com essa tecnologia para diversos clientes, buscando compreender de que forma ela pode contribuir, desde a análise do comportamento do consumidor até a criação de campanhas personalizadas, considerando tanto o perfil individual quanto o contexto”, destacou Maurício Mansur, fundador e CEO da IAMKT, durante sua palestra.
Segundo ele, a IA permite um nível de personalização antes inviável, tornando as estratégias mais assertivas. “A tecnologia possibilita, por exemplo, ajustar campanhas de acordo com variáveis contextuais, como condições climáticas. Em um dia chuvoso, faz mais sentido promover guarda-chuvas do que protetores solares. Esse tipo de inteligência aplicada contribui diretamente para melhores resultados”, explicou.
Mansur também abordou o conceito de “bifurcação” no varejo, no qual a inteligência artificial atua em diferentes momentos da jornada de compra. “Quando a decisão de compra é automatizada, a IA auxilia o consumidor — ou agentes digitais — a encontrar rapidamente o produto desejado. Já no ambiente físico, com maior carga de contexto e experiência, a tecnologia contribui para aprimorar a jornada do cliente dentro da loja”, afirmou.
Ao ser questionado sobre o impacto da inteligência artificial nas estratégias de marketing do varejo, Mansur destacou que a tecnologia pode representar tanto uma oportunidade quanto um desafio. “Para os supermercadistas que souberem utilizá-la, o processo se tornará mais eficiente. Para aqueles que não se adaptarem, o cenário pode se tornar mais complexo”, avaliou.
Ele ressaltou ainda que ferramentas tradicionais tendem a evoluir ou desaparecer. “O modelo clássico de folhetos promocionais tende a deixar de existir como conhecemos hoje. A tendência é que cada consumidor receba ofertas personalizadas, construídas com o apoio da inteligência artificial”, pontuou.
Sobre a implementação da IA nos negócios, Mansur enfatizou a importância do suporte especializado. “É fundamental contar com parceiros ou agências que compreendam a inteligência artificial não apenas do ponto de vista operacional, mas também estratégico. Mais do que executar, é necessário orientar o empresário na construção de um caminho consistente de adoção da tecnologia”, explicou.
O executivo destacou que não há soluções prontas ou imediatas, mas reforçou a urgência de iniciar esse processo. “Nenhuma empresa estará completamente preparada de um dia para o outro. No entanto, é essencial começar o quanto antes, para não perder competitividade no mercado”, alertou.
Por fim, ao abordar a capacitação das equipes, Mansur foi enfático quanto a importância do fator humano nesse processo. “Não basta apenas capacitar os colaboradores; é preciso engajá-los. Sem uma equipe preparada e comprometida — seja por motivação ou pela compreensão da relevância da tecnologia — não será possível avançar”, afirmou.
Ele concluiu destacando o papel transformador da inteligência artificial. “Para aqueles que desejam ampliar resultados, não há alternativa senão incorporar a IA. Trata-se de uma tecnologia que está redefinindo a forma de trabalhar em todos os setores, não apenas no marketing”, finalizou.
