Editorial

2026: o ano da eficiência inteligente

Janeiro marca mais do que o início de um novo calendário. É o momento em que o varejo redefine prioridades, ajusta rotas e transforma aprendizados em decisões estratégicas. Depois de um ano intenso, 2026 começa com um recado claro para o setor supermercadista: crescer continuará sendo importante, mas crescer com inteligência será determinante.

O cenário econômico aponta para um ano de avanços moderados e maior seletividade do consumo. Projeções da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) indicam crescimento entre 5% e 7% para o varejo alimentar em 2026, sustentado pelo aumento gradual do poder de compra das famílias e pela consolidação dos canais digitais. Ao mesmo tempo, a Pesquisa Mensal do Comércio (IBGE) mostra que o setor segue avançando em ritmo mais cauteloso, exigindo das empresas uma gestão ainda mais rigorosa de custos, estoques e margens. Não será um ano de excessos, mas de escolhas bem direcionadas.

É nesse contexto que a eficiência deixa de ser apenas operacional e passa a assumir um papel estratégico. Eficiência inteligente é saber usar dados para decidir melhor, tecnologia para simplificar processos e pessoas para gerar valor. O consumidor permanece no centro dessa equação. Segundo a NielsenIQ, mais de 70% dos brasileiros esperam experiências integradas entre lojas físicas e canais digitais, com conveniência, transparência de preços e agilidade no atendimento. Atender a essa expectativa não depende apenas de investimento, mas de alinhamento entre estratégia, operação e cultura organizacional.

Em 2026, o varejo que se destacará será aquele capaz de eliminar desperdícios sem perder sensibilidade, otimizar processos sem engessar a experiência e ganhar escala sem abrir mão da proximidade. A automação, a inteligência artificial e a análise de dados já fazem parte da rotina, mas seu verdadeiro valor está na aplicação prática, como prever demanda, reduzir rupturas, personalizar ofertas e apoiar decisões mais assertivas no dia a dia das lojas.

Ao mesmo tempo, a eficiência inteligente passa necessariamente pelas pessoas. Equipes bem preparadas, engajadas e alinhadas ao propósito da empresa seguem sendo um dos principais diferenciais competitivos do setor. A tecnologia apoia, mas é o fator humano que constrói confiança, fideliza clientes e traduz a estratégia em experiências reais no ponto de venda. Sustentabilidade, consumo consciente e responsabilidade social deixam de ser discursos paralelos e passam a integrar de forma definitiva a lógica do negócio.

Começar 2026 com eficiência inteligente é compreender que planejamento e execução caminham juntos. É usar janeiro para organizar processos, revisar indicadores, alinhar equipes e tomar decisões que sustentarão o ano inteiro. O varejo supermercadista brasileiro, em especial o baiano, já demonstrou sua capacidade de adaptação e inovação. Agora, o desafio é transformar essa maturidade em vantagem competitiva.

Que este novo ano seja guiado por escolhas mais conscientes, operações mais enxutas e relações mais verdadeiras com o consumidor. Porque eficiência, quando é inteligente, não é apenas fazer mais com menos, é fazer melhor, com propósito e visão de futuro.

AMANDA VASCONCELOS

Presidente da Abase

presidencia@abase-ba.org.br