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Romeo Busarello ensina a arte de pensar o futuro aprendendo com os erros do passado

Romeo Busarello não fala apenas sobre negócios. Ele fala sobre mentalidade. O executivo e professor reconhecido por sua visão estratégica sobre negócios e inovação, trouxe reflexões contundentes em sua palestra realizada no 48º Encontro Baiano de Supermercados, que foi menos uma exposição técnica e mais um convite à reflexão.

Ao afirmar que “quem não pensa o futuro, trabalha o presente usando ferramentas do passado”, ele deixou claro que o maior risco das empresas brasileiras não está na falta de capital ou de oportunidades, mas na insistência em repetir velhos hábitos diante de novos cenários.

Com frases marcantes e provocações diretas, ele convidou gestores e empresários a repensarem seus modelos de atuação diante das transformações que o Brasil viverá nos próximos anos. O país, segundo Busarello, abrirá avenidas de oportunidades nos próximos cinco anos. Mas não será possível percorrê-las com mapas antigos.

A metáfora é poderosa: caminhos novos exigem novas formas de pensar. Velhos hábitos não abrem novas portas. E é justamente nesse ponto que ele provoca os gestores, especialmente os de supermercados, que lidam diariamente com o desafio de gerir pessoas.

Desafio está no capital humano

Ao falar diretamente para gestores de supermercados, Busarello destacou que o maior desafio não está apenas em logística, tecnologia ou expansão, mas sim o capital humano, na gestão de pessoas. Em um setor que depende intensamente de equipes operacionais e de liderança próxima, a capacidade de atrair, desenvolver e reter talentos torna-se vital. Ele lembrou que, sem pessoas preparadas, qualquer estratégia se torna frágil. “O capital humano é o verdadeiro motor dos negócios”, afirmou

Para Busarello, sem pessoas preparadas, qualquer estratégia se torna frágil. Ele lembra que, nos últimos 30 anos, o Brasil mudou suas prioridades. “Nos anos 90, a inflação era o fantasma que dominava o país. Depois, a preocupação foi gerar empregos. Hoje, superamos essas duas questões. O novo desafio é outro: a ausência de pessoas qualificadas para tocar negócios em todos os níveis, da alta diretoria aos cargos operacionais”, sentencia.

O paradoxo é evidente. Temos dinheiro, temos empresas interessadas, temos oportunidades. O Brasil é um país de muitos problemas, e onde há problemas, há negócios. Mas falta gente preparada. Esse é o gargalo que ameaça o crescimento sustentável. E, segundo Busarello, é um problema que tende a se agravar.

Sua visão sobre o futuro das empresas também rompe com modelos tradicionais. Ele defende que as organizações crescerão cada vez mais com sócios, não apenas com funcionários. “Quem não aprende a dividir não vai encontrar pessoas que ajudem a multiplicar”, ensina. A lógica é simples: esforço se agradece, resultado se remunera.

Essa mudança cultural se reflete também na relação das pessoas com o trabalho. Busarello compartilhou sua própria experiência geracional: “Eu fui de uma geração que trabalhei a vida toda pelo sonho dos outros. Hoje, as pessoas querem trabalhar pelo sonho coletivo. Eu quero te deixar bilionário, mas você tem que me deixar bem de vida”, argumenta.

Essa frase sintetiza uma transformação profunda. O colaborador contemporâneo não aceita mais ser apenas uma peça de engrenagem. Ele quer prosperar junto com a empresa, quer ser protagonista, quer ver seu esforço traduzido em qualidade de vida.

Coragem para correr riscos

Busarello ensinou também que a coragem é um elemento de fundamental importância para se correr riscos. “Não adianta você ter cultura e inteligência se você não tiver coragem. E eu falei da minha própria trajetória profissional. Eu me preparei a vida toda, estudei, fiz pós-graduação, mestrado, comecei meu doutorado e ao longo da vida eu aprendi que as pessoas mais preparadas sempre irão trabalhar para as pessoas mais corajosas. Coragem é um atributo importante, algo que eu não tive muito ao longo da minha vida, por isso que eu trabalhei para o sonho dos outros”, observa.

Ele lembrou também que para fazer um bom trabalho é preciso estar cercado de grandes profissionais. E destacou a importância de usar três novos verbos no mundo da gestão, que são cocriar, colaborar e cooperar. “Sem a conjugação desses verbos, você só vai fazer sucesso. E o sucesso não é mais um substantivo. O sucesso é um verbo transitivo”, disse.

No fim, a palestra de Romeo Busarello foi menos sobre números e mais sobre pessoas. Foi um chamado à ação para gestores que ainda acreditam que o futuro pode ser construído com ferramentas do passado e que os líderes precisam se preparar para um cenário onde o maior ativo será o capital humano.

E deixa clara a seguinte conclusão: o Brasil, com todos os seus problemas, continuará sendo um terreno fértil para negócios. Mas apenas aqueles que souberem atrair, desenvolver, dividir conquistas e compartilhar sonhos com suas equipes estarão prontos para aproveitar as avenidas de oportunidades que se abrirão.