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Raimundo Menezes, um empreendedor que honra a palavra e mantém-se ativo

Em um setor em constante transformação, a trajetória de Raimundo Menezes, 88 anos, se destaca como um exemplo de perseverança, adaptabilidade e, acima de tudo, de honra aos compromissos. Sua história no varejo alimentar começou em abril de 1956, em uma época em que o conceito de ‘atacarejo’ ainda era embrionário e a tecnologia era algo distante.

Ainda jovem, Menezes iniciou sua carreira na rede Paes Mendonça, onde escalou posições de forma gradual e sólida. Passou por diversas funções, atuando como encarregado de depósito, chefe do transporte e gerente de supermercado. A experiência em cada etapa, segundo ele, foi fundamental para o seu desenvolvimento profissional. No ápice de sua carreira na empresa, assumiu a gerência das grandes lojas de atacado, supervisionando operações em empreendimentos que chegavam a cerca de 10.000 metros quadrados e empregavam entre 300 e 400 funcionários.

Após mais de três décadas de dedicação à Paes Mendonça, Raimundo Menezes tomou a decisão de empreender. Em 1988, ao lado de dois amigos, fundou o Bom Gosto Atacado, um negócio que, mesmo após anos, continua em pleno funcionamento no bairro da Calçada, na Cidade Baixa, em Salvador.

Ele relembra com humildade os desafios do início, quando a tecnologia era inexistente e os processos, como ele mesmo diz, eram feitos “na mão grossa”. A comunicação, precária, exigia uma confiança mútua e uma interlocução direta entre as partes envolvidas.

Hoje, ainda no comando do Bom Gosto Atacado, empresa que se mantém focada em oferecer qualidade e um atendimento de excelência aos clientes – um reflexo direto dos valores de seu fundador – Raimundo procura manter-se em plena atividade no dia a dia. A empresa atende a Região Metropolitana de Salvador, Feira de Santana, Cruz das Almas, Mata de São João, São Sebastião, Dias D’Áwvila, Camaçari, entre outros.

Raimundo Menezes tem quatro filhos, dois que desenvolveram carreira em empresas públicas, no Banco do Brasil e na Petrobras. No entanto, ele tem a satisfação de ter os seus dois filhos mais novos trabalhando ao seu lado.

Seu conselho aos empresários é baseado na simplicidade e ética: “Não prometa o que não pode fazer”. Ele ensina, com clareza, a necessidade de o empreendedor sempre procurar honrar os seus compromissos e não prometer o impossível. “Só prometa, só diga que vai fazer ao cliente se tiver condições de executar. Não diga que vai baixar o preço ou entregar amanhã, se você não tem certeza”, dispara.

Para ele, a credibilidade é o maior diferencial de um negócio. Prometer o impossível, seja sobre preços ou prazos, é um erro que a experiência de vida e de negócios o ensinou a evitar. A lição de Raimundo Menezes é clara: a confiança do cliente se constrói com honestidade e com o cumprimento da palavra.

“Como eu vim de uma empresa grande e aprendi que o cliente está acima de tudo, então nós nos propomos a dar o melhor tratamento possível nessa parte. Inclusive, graças a Deus, nós somos muito elogiados, tanto pelo atendimento, na venda, como na entrega da mercadoria. Procuramos dar o nosso melhor no tocante à prestação do serviço”, salientou.

Fornecedor tem primasia

Raimundo Menezes explica que, nos dias de hoje, com a forte concorrência do mercado, é preciso ter muito jogo de cintura. E um aspecto que não se pode sonegar é o relacionamento aberto e sincero com o fornecedor.

“Quando eu comecei a trabalhar, usava alguns critérios de poder honrar com os compromissos junto ao fornecedor. Portanto, eu nunca usava além do que eu podia. Eu sempre fui limitado, inclusive nas compras, eu comprava o que eu podia pagar. E aconselho a nunca atrasar o compromisso, como inclusive dizia o meu antigo chefe Samonelli: ‘Não atrase o fornecedor’. E eu nunca atraso o fornecedor. E é isso que a cada dia melhora ainda mais o nosso conceito”, ensina.

Outro fator que diferencia a atitude de Menezes é sua relação humana com os colaboradores. “Eu fui empregado mais de 30 anos e eu conheço bem as necessidades do empregado. Então, por exemplo, eu nunca deixei e não deixo aqui na empresa de olhar o lado do empregado. Peço a meu filho, que é o Financeiro, que não deixe para pagar no dia primeiro. Se você pode pagar no dia 30, pague dia 30. Então isso possibilita ter um relacionamento muito bom entre os funcionários. Graças a Deus”, se orgulha.

E na hora do lazer, como se diverte Raimundo Menezes? “Eu tinha uma fazenda, e vendi porque na época da pandemia apareceu uma pessoa lá e me ofereceu um valor que eu achei que estava bom e vendi. Então, hoje, quando eu não estou aqui (na empresa) estou na casa de praia lá em Jauá”, entrega.