Editorial

É tempo de São João. E nem tudo é só forró. É preciso atenção!

Chegamos ao último mês do primeiro semestre e, por aqui, no Nordeste, isso tem um significado especial. Junho não apenas encerra uma etapa do calendário, ele inaugura uma temporada inteira de oportunidades para o varejo baiano. É nesse período que os supermercados ganham vida com bandeirolas, cores, sabores e cheiros da terra, e o comportamento de compra dos nossos clientes muda com a mesma alegria que enche as ruas ao som do forró.

O São João é, sem dúvida, uma das maiores potências comerciais do ano. Em 2024, o comércio da Bahia movimentou cerca de R$ 5,56 bilhões durante o período junino, segundo levantamento da Abras. Uma parcela expressiva desse valor passou pelos supermercados, que lideraram as vendas de itens como milho, amendoim, coco ralado, laticínios e bebidas tradicionais, consolidando o setor como protagonista das celebrações. E para 2025, as projeções são ainda mais promissoras.

Com o fortalecimento do poder de compra da população, impulsionado pela redução do desemprego e pelo crescimento da massa salarial, a Associação Brasileira de Supermercados estima um aumento mínimo de 6,5% no faturamento do setor supermercadista em junho, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Mas o São João vai além dos bons resultados. Ele pede sensibilidade, entendimento e conexão genuína com a cultura, a memória afetiva e os hábitos do povo baiano. Não basta disponibilizar o produto certo: é preciso oferecer significado, praticidade e acolhimento — elementos que não aparecem em relatórios, mas que impactam profundamente a decisão de compra.

A loja que compreende esse momento se antecipa aos desejos do consumidor. Planeja o abastecimento com inteligência, negocia com estratégia, transforma o layout em experiência sensorial e investe em campanhas temáticas que celebram a identidade regional. Capacita suas equipes para um atendimento mais humano e promove iniciativas que fortalecem o vínculo com a comunidade. O São João é, também, tempo de criar: montar pontos extras carregados de afeto, incluir receitas típicas nas ações digitais, oferecer degustações que despertem lembranças e transformar a loja em um verdadeiro “arraiá” de boas memórias.

Enquanto o consumidor busca conveniência sem abrir mão das raízes, o varejo supermercadista precisa traduzir esse equilíbrio em cada prateleira e todos os pontos de contato com a marca. E, acima de tudo, aproveitar o que esse período tem de mais valioso: a disposição das pessoas em consumir com emoção. Porque, no São João, os laços se estreitam com a família, a cultura, e as marcas que ocupam esse espaço com autenticidade.

Que a temporada junina de 2025 seja um convite à inovação, ao planejamento estratégico e à liderança do nosso setor. Que os supermercados da Bahia não apenas respondam às demandas da época, mas ofereçam experiências que toquem, encantem e permaneçam. Afinal, quando o São João começa, o Nordeste inteiro dança. E o nosso varejo tem o privilégio, e o dever, de comandar esse compasso.

 

AMANDA VASCONCELOS

Presidente da Abase

presidencia@abase-ba.org.br