Editorial

Aprendizados e perspectivas para um novo ciclo

Dezembro chega e, com ele, o momento de refletir sobre o caminho percorrido. O ano de 2025 foi marcado por desafios, transformações e aprendizados valiosos para o setor supermercadista brasileiro, que mais uma vez demonstrou resiliência e capacidade de adaptação diante de um cenário econômico em constante movimento. Após um período de ajustes e de retomada gradual do consumo, o varejo encerra o ano com resultados positivos e uma visão otimista para 2026.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o setor movimentou mais de R$ 1,067 trilhão em 2024, representando 9,12% do Produto Interno Bruto nacional e consolidando-se como um dos principais motores da economia brasileira. Em 2025, o consumo nas residências registrou crescimento real acumulado de 2,67% até setembro, de acordo com o índice da Abras, refletindo o fortalecimento da renda e a confiança gradual das famílias. Já a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE) apontou alta de 1,5% nas vendas do varejo ampliado no mesmo período, confirmando a tendência de expansão, ainda que em ritmo moderado. Na Bahia, o cenário também foi positivo: segundo estimativas, as vendas de fim de ano devem encerrar com aumento de 6,2%, impulsionado por campanhas promocionais, maior fluxo de consumidores e pelo avanço do comércio eletrônico.

Esses números revelam mais do que desempenho, demonstram maturidade. O ano reforçou que eficiência operacional e experiência humana são pilares inseparáveis no varejo moderno. A integração entre canais físicos e digitais deixou de ser um diferencial e se tornou essencial, já que 72% dos consumidores brasileiros esperam uma jornada de compra totalmente conectada, segundo pesquisa da NielsenIQ. O consumidor atual é híbrido, informado e exigente, buscando conveniência, preço competitivo e propósito nas marcas que escolhe.

Entre aprendizados e conquistas, o setor supermercadista mostrou que inovação e proximidade podem, e devem, caminhar juntas. O investimento em tecnologia, gestão de dados e automação otimizou processos, reduziu rupturas e aprimorou a tomada de decisão. Mas o verdadeiro diferencial seguiu sendo o fator humano: equipes preparadas, atendimento acolhedor e campanhas que valorizam a cultura local e o senso de comunidade fortaleceram o relacionamento com o cliente e ampliaram a fidelização.

Encerramos o ano com a sensação de dever cumprido e com a clareza de que os resultados alcançados não foram frutos do acaso, mas de planejamento, colaboração e comprometimento. O varejo baiano reafirmou seu protagonismo, mantendo-se como referência regional em qualidade, inovação e relacionamento com o consumidor.

O ano de 2026 já se desenha promissor. As projeções da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) indicam crescimento entre 5% e 7% no faturamento do setor, impulsionado pela digitalização das operações, pelo fortalecimento dos programas de fidelidade e pelo aumento do poder de compra das famílias. O desafio, contudo, continuará sendo equilibrar eficiência e emoção, manter a precisão dos processos sem perder o olhar humano que caracteriza o nosso setor. O varejo que mais avançará será aquele que souber transformar dados em decisões e pessoas em conexões duradouras.

Que dezembro nos inspire a celebrar o que conquistamos e a planejar o que ainda está por vir. Que 2026 seja um ano de crescimento sustentável, inovação responsável e relações cada vez mais genuínas entre marcas e consumidores. Porque, no fim das contas, o varejo é feito de gente e é no equilíbrio entre eficiência e emoção que seguimos construindo o futuro do nosso setor