Notícias

Jornada de Pedro Barreto delineia uma vida dedicada às vendas do comércio varejista

Pedro Barreto, 84 anos, se define como um homem feliz, e a razão de sua felicidade está diretamente ligada às escolhas que fez ao longo de sua trajetória profissional. Ele construiu uma carreira sólida e, mais importante, encontrou na representação comercial a realização que buscava. Sua história é uma lição de adaptabilidade e paixão, mostrando como a mudança de rumo pode ser o segredo para o sucesso.

Antes de se aprofundar no universo das vendas, Pedro teve experiências em outras áreas. Inicialmente, atuou como gerente de escritório na empresa Sanbra, onde pôde desenvolver habilidades de gestão e liderança. Em seguida, embarcou em uma jornada que lhe permitiu conhecer a fundo os diversos cantos e encantos da Bahia, trabalhando como inspetor para a Fiat do Brasil. Essa vivência, que o levou a percorrer o estado de ponta a ponta, foi crucial para que ele desenvolvesse um conhecimento profundo do mercado baiano.

No entanto, a verdadeira virada em sua carreira aconteceu após ele tomar a corajosa decisão de deixar os empregos anteriores. E, ao abrir uma sociedade com Ivan de Matos Paiva, Pedro se aventurou em um território completamente novo: a produção de cocada baiana. Apesar de ser um ramo desconhecido para ele, a curiosidade e o desafio o impulsionaram a aprender e, com o tempo, a se apaixonar pelo negócio. A primeira grande conquista veio com o fornecimento para a rede de supermercados Paes Mendonça, um passo fundamental para consolidar sua posição no mercado.

A partir desse ponto, o caminho de Pedro foi direcionado para o ramo de doces, um setor que ele abraçou com dedicação e profissionalismo. Sua lista de clientes e empresas representadas se expandiu consideravelmente, incluindo nomes como Joara, Celi, Palato, Bela Vista e Visconti. Sua experiência, no entanto, não se limitou a um único tipo de produto. Ele também mergulhou no segmento de balas, representando marcas como Apache e Ice Kiss.

Toda essa experiência no universo dos doces e balas o fez desenvolver um novo critério para sua vida profissional. Pedro passou a compreender com maior clareza as dinâmicas dos mercados atacadista, supermercadista e varejista. Essa nova perspectiva o levou a criar uma dedicação ainda maior ao fornecimento e à distribuição, atuando de forma estratégica tanto no varejo quanto no atacado, em paralelo com o segmento de supermercados.

Entrada na representação comercial

Depois de passar por várias crises econômicas, Pedro resolveu abandonar o comércio e passou a atuar como representante de vendas, setor em que trabalha até os dias de hoje. “Após passar por aquilo tudo, eu disse: não vou mais ser comerciante, vou ser prestador de serviço. Aí passei a ser representante comercial e assim continuo na vida até hoje. Continuei porque eu vi que minha expertise no ramo me deu direito a saber desenvolver o trabalho com o produto junto à indústria e junto ao comerciante supermercadista e atacadista. Eu vendia ao atacado e também para supermercado. Aí trabalhei com uma série de empresas. Lancei um bocado de produto aqui”, lembra.

Sua entrada no mundo do fornecimento para supermercados se deu de forma quase incidental, mas abriu portas para um vasto conhecimento do mercado. Trabalhando para a Philips, Pedro vendia lâmpadas para o atacado de Pedro Paes Mendonça, pai de João Carlos Mendonça, uma das figuras mais influentes do varejo baiano. Esse contato inicial o colocou no mapa do setor, permitindo que ele estabelecesse relações comerciais importantes e aprendesse a dinâmica de fornecimento em grande escala.

A convivência com grandes nomes como Mamede Paes Mendonça e Jaime Mendonça, líderes do grupo que revolucionou o varejo na Bahia, foi uma verdadeira escola para Pedro. Ele acompanhou de perto a visão empreendedora e a capacidade de inovar que transformaram o supermercado Paes Mendonça em um ícone para os baianos.

No entanto, um dos pontos que mais o impressionou foi a ascensão das lojas Peti Preço. Para ele, essas lojas foram um verdadeiro sucesso, pioneiras em criar redes de supermercados de bairro, democratizando o acesso a produtos e serviços para a população local. A capacidade de criar um modelo de proximidade com o consumidor é, na sua visão, um dos maiores acertos daquela época.

A visão de um mercado em transformação

A trajetória de Pedro Barreto é intrinsecamente ligada à história do varejo na Bahia e à ascensão do modelo de supermercados no estado. Ele construiu sua carreira em um período de profundas mudanças no setor, testemunhando de perto o crescimento e a evolução das grandes redes, e hoje reflete sobre o futuro incerto para os pequenos comerciantes.

Pedro Barreto considera que sua vida profissional no ramo de supermercados foi um sucesso total. Sua capacidade de adaptação, seu relacionamento com grandes varejistas e sua experiência em diferentes segmentos, desde as lâmpadas da Philips até a cocada baiana e os doces de grandes marcas, lhe conferiram uma excelente visão do mercado. No entanto, sua visão para o futuro do setor é marcada por uma profunda preocupação.

Ele enxerga um cenário onde os pequenos supermercados e mercadinhos de bairro estão cada vez mais ameaçados. A proliferação de grandes players, como as redes nacionais e os atacarejos, cria um ambiente competitivo insustentável para os pequenos negócios. A capacidade de negociação, os preços mais baixos e a eficiência logística das grandes redes dificultam a sobrevivência dos comércios menores, que acabam perdendo espaço e clientes.

“Eu dou parabéns a esse pessoal porque é uma visão moderna, considerando que, por exemplo, hoje, segurança e estacionamento talvez sejam as duas coisas mais importantes, a exemplo do que acontece no shopping center. O fato é que os grandes supermercados hoje têm essa facilidade. Bons estacionamentos, segurança, fatores que atraem a população a ter um comparecimento contínuo”, pontua Pedro.