Eficiência e emoção: os dois lados da reta final de 2025
O varejo é movido por números, mas sustentado por sentimentos. E novembro é o mês em que esses dois mundos se encontram. Na reta final do ano, eficiência e emoção caminham lado a lado — é o momento de provar que estratégia e sensibilidade não são opostas, mas forças complementares para encantar o consumidor e garantir resultados consistentes.
O último trimestre de 2025 chega com expectativas positivas. Segundo a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), as vendas do setor supermercadista devem crescer entre 5% e 7% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionadas pelo aumento da renda real das famílias e pela retomada do consumo de bens essenciais. Na Bahia, projeta-se uma alta de 6,2% nas vendas de novembro, reflexo direto das ações promocionais e do fortalecimento do e-commerce. Já a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE) apontou crescimento acumulado de 1,5% nas vendas do varejo ampliado até setembro, confirmando o cenário de recuperação gradual e consistente.
O calendário é intenso: o Dia das Crianças aqueceu o início do trimestre, a Black Friday movimenta o comércio com descontos e logística acelerada, e o Natal já desponta no horizonte como o ápice do ciclo. Cada uma dessas datas demanda estratégias específicas, mas todas compartilham um mesmo propósito: conectar marcas e pessoas. E isso exige mais do que campanhas promocionais: requer planejamento, integração e empatia.
Do lado da eficiência, o foco está na execução. Gestão de estoques precisa, exposição estratégica de produtos e comunicação clara no ponto de venda são pilares inegociáveis. A integração entre canais, físico e digital, tornou-se essencial. De acordo com a NielsenIQ, 72% dos consumidores brasileiros esperam que as experiências de compra online e offline estejam alinhadas, com consistência em preços, ofertas e atendimento. Essa convergência exige processos bem estruturados, tecnologia aplicada à operação e equipes preparadas para atender com agilidade — seja na loja, no aplicativo ou na entrega.
Mas tão importante quanto o desempenho operacional é a capacidade de despertar emoção. No fim do ano, o cliente não busca apenas conveniência, ele busca significado. Um ambiente bem decorado, uma saudação gentil, um layout que evoque lembranças familiares ou campanhas que valorizem o consumo consciente transformam o ato da compra em uma experiência afetiva. Segundo levantamento da Abras, 68% dos consumidores afirmam escolher supermercados que transmitam sensação de acolhimento e confiança. Esses detalhes, muitas vezes invisíveis nos relatórios, são os que fortalecem vínculos e fidelizam de verdade.
Eficiência sem emoção é operação fria; emoção sem eficiência é improviso. O desafio do varejo é o equilíbrio — planejar com razão e executar com coração. Entender que a Black Friday é sobre oportunidade e o Natal, sobre conexão. Que as metas são importantes, mas o propósito é o que dá sentido ao trabalho. Porque o varejo, no fim das contas, é feito de gente: quem compra, quem atende e quem acredita no poder de servir bem.
Que novembro nos inspire a unir eficiência e emoção, a precisão dos processos com a sensibilidade do olhar humano. Porque é nessa harmonia que o varejo se fortalece, encanta e conquista.
AMANDA VASCONCELOS
Presidente da Abase
presidencia@abase-ba.org.br
