Virada de semestre: estratégia, propósito e ação no varejo baiano
2025 praticamente se foi. E o que você fez? Margem em dia? Negociações promissoras? Mudanças planejadas e efetivadas? O que construiu até aqui revela potencial do que ainda está por vir. Preparados?
No primeiro semestre de 2025, o varejo brasileiro demonstrou resiliência e leve aceleração. Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o comércio varejista nacional acumulou alta de 1,2% no primeiro trimestre. O setor supermercadista, mais uma vez, se destacou como motor do crescimento, com variação positiva de 0,4% em março e a maior participação registrada desde o ano 2000, representando 56,4% do total das vendas do varejo restrito. Um dado que não apenas impressiona, mas reafirma a força do nosso segmento como base da economia.
Se o Brasil avança, a Bahia precisa redobrar a atenção. De acordo com a SEI Bahia (Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais), o estado teve retração de 0,2% nas vendas em março, interrompendo uma sequência de 24 meses de crescimento. No acumulado do primeiro trimestre, as vendas caíram 0,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esses números não devem ser vistos como obstáculos, mas como alertas valiosos. Eles indicam que, para seguirmos competitivos, é necessário intensificar nosso olhar sobre o cliente baiano e regionalizar ainda mais as estratégias.
Quando os dados apontam caminhos, cabe a nós decidir como percorrê-los. E esse caminho, sem dúvida, passa por colocar o consumidor no centro das decisões. A experiência de compra precisa ser cada vez mais fluida, personalizada e humana — no digital e no físico. Omnicanalidade, agilidade no atendimento, ambientação sensorial, campanhas alinhadas ao contexto local e serviços práticos deixaram de ser diferenciais: tornaram-se expectativas. Ao mesmo tempo, é essencial que a tecnologia seja utilizada não como fim, mas como ferramenta para facilitar a jornada do cliente e a tomada de decisão das equipes. A inteligência de dados deve fazer parte da rotina do varejista baiano — permitindo ajustar sortimento, criar ofertas mais assertivas e manter estoques alinhados ao comportamento real de consumo.
Também não podemos ignorar o papel da sustentabilidade como valor estratégico. Mais do que uma demanda global, ela é uma expectativa crescente do consumidor. Empresas que adotam embalagens recicláveis, logística reversa, campanhas educativas e práticas conscientes tornam-se mais relevantes e confiáveis. Esse compromisso, hoje, representa vantagem competitiva.
O meio do ano é, acima de tudo, um convite à virada. Um tempo de reorganizar rotas, renovar metas e reforçar nossos propósitos. O cenário nacional mostra que há espaço para crescer. O contexto baiano nos desafia a agir com mais inteligência e conexão. Que saibamos interpretar os sinais do mercado, ouvir o cliente com atenção e responder com estratégia, coragem e colaboração. O segundo semestre está diante de nós, pronto para ser vivido com planejamento, identidade e excelência. Que o varejo supermercadista baiano siga firme — com propósito, visão e, acima de tudo, ação.
AMANDA VASCONCELOS
Presidente da Abase
presidencia@abase-ba.org.br
